Passaredo + Esquadrilha. EMOCIONANTE. [PARTE 1!!!]

Caros Leitores,

Voar é uma emoção para todos. Voar em formação com a Esquadrilha da Fumaça é uma emoção ÚNICA. Nossa reportagem especial dará destaque a este evento inesquecível e marcante promovido pela Passaredo Linhas Aéreas em parceria com a Esquadrilha da Fumaça, em homenagem aos seus 60 anos, a serem completados no próximo ano.

Fotos e Vídeos por João Vitor Balduino 

Texto: João Vitor Balduino

Fui convidado pela Passaredo para participar deste evento do dia 18/09/2011. Recebi, alguns dias antes por e-mail, um convite direcionado a imprensa para o voo de fotos em formação com a esquadrilha da fumaça, a bordo de um Embraer 145, o avião utilizado pela Passaredo em todas as suas rotas.

Cheguei pouco antes do horário previsto para o início das programações, e fui recebido em uma tenda especialmente montada para o evento pelo Comandante Felício, o presidente da Passaredo. Lá encontrei também o comandante que acompanharia o Felício neste voo, o sensacional Thiago Sabino (Idealizador do projeto em homenagem a esquadrilha).

Eu e o Comandante Felício, após o voo.

Eu e o Comandante Felício, após o voo.

Felício me passou algumas informações sobre nosso voo e, após um curto papo informal, segui para o hangar de Taxi Aéreo da Passaredo, onde seria feito o Briefing do voo entre os Comandantes do E-145 e os “Fumaças” (Apelido carinhosamente dado aos pilotos da nossa esquadrilha). No briefing, foi definido que manteríamos 6000 pés após decolagem, em orbita sobre a cidade de Serrana-SP, e a fumaça viria na nossa retaguarda a 5000ft, nos acompanhando pela direita e esquerda. O briefing foi de aproximadamente 15 minutos, onde todas as dúvidas foram sanadas. Estes 15 minutos passaram, literalmente, voando.

Briefing do Voo. Foto por João Vitor Balduino.

Briefing do Voo. Foto por João Vitor Balduino.

Comandante Felício e Ten. Cel Esteves. Foto por João Vitor Balduino.

Comandante Felício e Ten. Cel Esteves. Foto por João Vitor Balduino.

Nos dirigimos ao hangar da Passaredo novamente, onde entrevistas foram concedidas para emissoras de televisão que cobriam o evento. (NOTA: A EPTV Ribeirão, emissora da Rede Globo para Ribeirão Preto e Região, enviou sua reporter Murielly Fernandes, que incomodou os passageiros do voo de fotos o tempo todo, sem se preocupar se estes faziam cobertura de imprensa e fotografavam para grandes portais de aviação da internet. As entrevistas eram imploradas para alguns passageiros sem o mínimo de educação e cordialidade. Não se faz mais jornalistas como antigamente.) 

Passados poucos minutos, o ERJ-145 pintado especialmente para o evento veio, rebocado, até o hangar onde estávamos, e pudemos fotografar os detalhes do avião que ficou LINDO DEMAIS. Simples, mas muito elegante. Uma homenagem de peso!

O E-145 chegando ao hangar. Foto por João Vitor Balduino.

O E-145 chegando ao hangar. Foto por João Vitor Balduino.

Detalhe do adesivo no avião. Foto por João Vitor Balduino.

Detalhe do adesivo no avião. Foto por João Vitor Balduino.

Mais uma curta sessão de fotos, Felicio e Esteves posam ao lado da aeronave entes do nosso embarque.

Felicio e Esteves. Foto por João Vitor Balduino.

Felicio e Esteves. Foto por João Vitor Balduino.

Fomos convidados a embarcar no E-145 para este voo especial. A aeronave, recentemente recebida pela Passaredo, estava perfumada e ajeitada, como toda aeronave deve ser. O ar-condicionado estava geladinho, ajudando a vencer o calor de 35ºC que fazia em Ribeirão naquela tarde. O tempo voou e, menos de 10 minutos após o embarque, estavamos fechando as portas e iniciando o pushback e acionamento dos reatores.

Nossos amigos da imprensa especializada embarcando.

Nossos amigos da imprensa especializada embarcando. Foto por JV Balduino.

Detalhe do Safety Card do ERJ-145. Foto por João Vitor Balduino.

Detalhe do Safety Card do ERJ-145. Foto por João Vitor Balduino.

Após o Pushback, instruções de segurança  foram passadas pela comissária que acompanhava nosso voo. Estas instruções podem ser conferidas no vídeo abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=U5FcQYh8Oe4

Nada de especial após isto. Prosseguimos com nosso taxi ao Ponto de Espera da pista 18. Na nossa retaguarda, os 7 fumaças vieram colados, prontos para este voo. Alinhamos e decolamos em parada. Felício aplicou potência nos reatores do nosso E145, que venceu a gravidade em poucos segundos. Nosso POB (People On Board) nesse voo foi de 49 pessoas.

Veja a decolagem no vídeo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=ErWxnS32JHU

 

Na próxima parte: A fumaça em formação e a emoção a bordo. Não deixe de conferir!

 

 

 

 

 

 

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Para Refletir

Olá pessoal!
Este é o meu primeiro post no Portal, fui convidado a algumas semanas pelo nosso Publisher João Victor Balduíno para integrar a equipe de colaboradores do site. Estarei sempre trazendo algo, engraçado, divertido, curioso, ou simplesmente diferente para vocês. Para começar, publico a foto abaixo com o intuito de fazermos uma reflexão. Tirem suas próprias conclusões…

Um sonho incomum

Muitos dos leitores deste blog trabalham há um tempo considerável com aviação. Boa parte dos que nos leem têm vontade de trabalhar com a aviação. Certa quantia dos nossos leitores investem seu tempo na leitura atenciosa do que é aqui escrito porque, para eles, serve de inspiração para o futuro que pretendem. Mas, quantos de nossos leitores, aviadores ou não, têm realmente o sonho de voar?

Por Araújo. 

Na vida, tudo o que fazemos com amor é bem feito. É inegável que em qualquer profissão, quando o empregado está feliz com o que está fazendo, os resultados são os melhores possíveis: chega-se cedo ao serviço, faz-se o que é devido de maneira honrada e, muitas vezes, faz-se mais do que nos é pedido somente pelo prazer de assim o fazer. Em psicologia aplicada à aviação, na faculdade, estudamos tipos de personalidade humana, mas, caro leitor, não confunda, neste artigo, não vou nem citar, muito menos comentar indiretamente sobre aqueles que são viciados em trabalho. É algo muito mais sutil, muito mais profundo. Vou debater sobre o amor à profissão.

Na aviação, cada dia mais, vejo que o amor está se esfriando. Antigamente, um garoto, ainda em sua infância, ganhava um avião de madeira ou de alumínio de seu pai, que acabara de chegar de uma viagem. O menino, tímido e com uma vida inteira pela frente, abria o pacote sem saber o que tinha dentro. Ao ver que ganhara um avião de brinquedo, os olhos da criança logo se enchiam de pequenas gotículas d’água, dando a impressão de que os mesmos estavam a brilhar. Daquele dia em diante, o pequeno aeroplano se torna o melhor amigo da criança, e, onde quer que ela vá, seu brinquedo vai também. Quando questionado, o menino que mal sabe escrever já responde com o coração: eu quero ser piloto.

Arrepia-me escrever sobre sonhos, pois, aviação para mim é mais que isso, é algo que nasceu comigo, que vive comigo e que vai morrer juntamente comigo. Assim como na metáfora da criança que ganha o brinquedo, desde pequeno, eu amo aviação. Sempre quis ser piloto, e, desde que me conheço por ser humano pensante, traço minha vida de modo tal a atingir meu objetivo: voar, voar e voar. No meio do meu caminho que apenas começou, me deparei com outros iguais a mim, que dizem amar aviação e querer fazer tudo por ela. As aparências enganam. E o dinheiro, ludibria a alma.

Com o passar dos anos, constata-se que voar não é mais exclusividade de pessoas ricas, os aviões, não são mais tão confortáveis e, o serviço prestado dentro das aeronaves não é tão bom quanto era antigamente. Tripulantes não sorriem mais, comissárias de voo não são mais simpáticas, pilotos não mais se despedem dos passageiros ao final de um voo, mesmo que no momento do pouso ele tenha batido tão forte no chão que praticamente alterou o PCN da pista. Não se vê mais emoção ao ver o céu mais de perto, não se observa o menino que aguarda por seu primeiro voo.

Questionando alguns tripulantes, constatei uma verdade inconveniente: trabalhar em aviação não é mais fruto de amor e sonho, é fruto de cobiça. É fato que os tripulantes, aeronautas e aeroviários têm um Status maior que o resto dos trabalhadores, o que pode ser comprovado se olharmos para as Leis que regem a profissão e, principalmente, se olharmos para a remuneração que nos é dada, mas, tal Status não justifica trabalhar em aviação. Arrisco dizer que a grande maioria dos que hoje são profissionais-do-ar assim o são somente por causa do dinheiro. A Bíblia Sagrada já dizia, “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”.

Fazendo algo que não lhes traz prazer, mas, somente uma conta bancária recheada, comissárias e comissários de voo não têm mais prazer em atender bem os clientes. Pilotos não se dedicam mais aos estudos. Aeronautas não mais sentem alegria e emoção ao decolar para uma longa viagem de seis dias. Aeroviários não tratam as pessoas como elas deveriam ser tratadas, ignorando seus pedidos e, muitas vezes, passando por cima das Leis em se tratando de atendimento de clientes em aeroportos. As empresas aéreas nunca experimentaram tamanha rotatividade de funcionários como têm experimentado nos últimos anos, e, a resposta para tudo isso é a falta de amor, a falta de paixão, a falta de brilho nos olhos ao se trabalhar com aviação.

Discutindo com alguns amigos, cheguei à conclusão de que eu sou doido. Sim, eu sou anormal, e concluí por mim mesmo. Eu quero trabalhar em uma companhia aérea conhecida por seu diferencial de segurança, de qualidade, pontualidade e conforto, mas, que paga aos seus aeronautas salários abaixo da metade da média da categoria, se observados os pagamentos de outras companhias aéreas. Quero voar por tal empresa, quero transportar seus clientes de maneira honrosa, sorrindo a cada nova decolagem e me alegrando a cada novo pouso, mesmo sabendo que minha conta bancária não será tão bem agraciada pelo banco que as contas de outros colegas que voam em outros lugares.

A busca pelo sonho, o sofrimento pelo objetivo e a renúncia por aquilo que se ama deveria ser levada em primeiro lugar na vida de todos aqueles que acreditam em futuro. Como atitude pessoal, parei de recomendar a aviação para amigos e colegas, pois, essa decisão deve surgir do fundo da alma, contra todo e qualquer argumento. Infelizmente, sofremos com a realidade de que aqueles que contratamos indiretamente para nos transportarem e para nos servirem a bordo de aparelhos capazes de cruzar os céus não mais estão lá por prazer, paixão ou amor, mas, estão lá porque querem enriquecer de maneira rápida.

Em um mundo cada vez mais cercado de falsidades e dores, viver um sonho é a melhor solução para os problemas. A alegria e a satisfação que se tem ao conquistar algo que foi planejado desde a infância é algo incomparável. Devemos parar de fazer o que não gostamos de fazer, mesmo que isso nos traga os melhores benefícios. Lutemos por nossos sonhos acima de qualquer julgamento, remuneração ou esforço. Se sonhar é viver, estamos habitando um mundo de mortos-vivos que buscam alegria em algo que não lhes proporcionará. Me entristeço ao perceber que na aviação, pela falta de amor e sonho da maioria dos que nela trabalham, nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.

LABACE 2011: Onde tudo acontece [Parte 1!!!]

Caros Leitores,

A equipe do PlusAviation esteve, no mês passado, na LABACE (Latin American Business Aviation Coference and Exhibition), que acontece no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Expositores do mundo todo levam seus produtos e serviços para a LABACE, que é, todo ano, sucesso de público. Seja ele visitante ou potenciais compradores. Embarque conosco e venha conhecer a LABACE!

Por João Vitor Balduino (E apoio de Matheus Motta, Araújo e um convidado especial: Gabriel Chiquito)

Desde que as incrições para a LABACE (Imprensa) foram abertas, fiquei inquieto. Seria esta a oportunidade de conhecer um pouco mais do universo da aviação executiva e seus diferenciais. Tomei um voo da TAM para Congonhas logo cedinho no dia 13/08 e, em 50 minutos, pisava em São Paulo. Fui recebido pelos nossos colunistas Matheus Motta e Araújo, que estavam (Diga-se de passagem, MUITO BEM) acompanhados pelo Gabriel Chiquito, também aluno de Aviação Civil e que nos acompanharia neste dia na LABACE.

Voando para a LABACE...

Antes de seguir para a feira em si, subi na Torre de Controle do Aeroporto de Congonhas. Masssss… Isso é assunto para outro post.

Oficialmente “credencializado”, se é que podemos dizer assim, entramos na LABACE. De cara, pudemos ver helicópteros que são verdadeiros “sonhos de consumo” em todo o mundo.

Crendencial!

Crendencial!

https://i2.wp.com/farm7.static.flickr.com/6196/6039668399_671747e9ae.jpg

Olha que belezinha!

Recebido pelas belissimas modelos (E bota BELAS nisso, hein?), continuamos andando pela feira e conhecendo um pouco mais sobre os expositores e seus diferenciais.

Queriamos conhecer o G550, da Gulfstream Aerospace. Fomos recebidos pela acessora de imprensa da Gulfstrem, uma indiana educadíssima chamada Gita. Ela, posteriormente, nos levou até a aeronave, que ficou fechada para nós. Lá dentro, fomos recebidos pelo Vice Presidente de Comunicações da Gulfstrem, mr Jeff. O mesmo nos deu uma aula sobre o avião, que, diga-se de passagem, é algo que eu nunca tinha visto. Modernidade é pouco para descrever esta maravilha tecnológica americana. Sem mais palavras, fique com imagens:

https://i2.wp.com/farm7.static.flickr.com/6088/6039694201_2df8b2db99.jpg

Desfrutando, por alguns minutos, do conforto dessa maravilha.

Eu não sabia e fiquei impressionado: O jato da Gulfstream tem as MAIORES janelas do mundo. A visão é simplesmente FANTÁSTICA.

A janela do G550. Simplesmente incrível!

Detalhes dessa maquina, para fechar a primeira parte:

Na próxima parte: Embraer, Phenom e mesa redonda: O Legacy 650.

Aguarde!

Um abraço!

O cenário da Aviação Civil Brasileira

Não é novidade a nenhum brasileiro que a Aviação Civil nacional vive seu melhor momento. O mercado cresce como nunca, contrata como jamais contratou e, precisa de mão de obra como jamais precisou. Nunca antes na história desse país, já dizia Lula. Nunca antes na história desse país, digo eu, a aviação sofreu tanto com o descaso público. E não é culpa de Lula. Isso vem de governos que o antecederam. E o profissional da aviação, onde fica nessa história?

Por Araújo.

Atualmente, a aviação brasileira vive sua melhor fase. O Brasil será país-sede dos dois maiores eventos esportivos mundiais: Os Jogos Olímpicos de 2016 e, a Copa do Mundo de Futebol de 2014, respectivamente relacionados em ordem de tamanho e importância mundial. Para atender a tais eventos que se aproximam, é natural que o governo pense em infra-estrutura para abrigar as partidas e competições. É natural que o governo invista tudo o que pode para garantir a segurança durante os jogos. É natural que o governo promova dentro do próprio país um sentimento ultra-nacional que gere suporte aos competidores brasileiros. É natural do brasileiro deixar tudo para a última hora e é natural do brasileiro não fazer o que lhe é devido. É natural que enfrentaremos problemas nos eventos esportivos pela falta de investimentos naturais na área de transportes dentro do país. A aviação nacional cresce a um ritmo alarmante: nunca a população voo tanto. Estima-se que no ano de 2010 houve 74 milhões de passageiros voando pelos céus brasileiros, um aumento de 22% em relação ao ano anterior.

O mercado se expande, e, espera-se que sejam investidos bilhões de dólares no sistema de transportes do Brasil, com a modernização de estradas, ferrovias, portos e aeroportos, contudo, todos sabemos que isso não é o que tem acontecido. Não quero me focar em outros meios de transporte a não ser o avião, portanto, perdoe-me caro leitor, deixarei de lado as outras modalidades para falar um pouco sobre o cenário da aviação em nosso país.

Com aeroportos de estrutura do século passado, não atendendo às necessidades da atualidade, vivemos a cada dia pousando e decolando em aeródromos cuja capacidade de lotação já foi excedida há tempos. Aos que vivem em São Paulo, sobre suas cabeças está uma das cinco Terminais (área do espaço aéreo em que há a aproximação e partida de um ou mais aeroportos) mais movimentadas do Mundo, sendo responsável pela segurança dela profissionais que ganham os piores salários da categoria em todo o planeta. Aos que vivem em outros lugares do Brasil, sobre sua terra estão aeroportos degradados e que deveriam receber investimentos públicos compatíveis com a expansão do setor- mas não o recebem.

A aviação se democratizou e, mais pessoas estão nos ares. Com isso, as companhias aéreas crescem, compram mais aviões, contratam mais pilotos por salários mais baixos, operam mais frequências entre diferentes locais, conectando-os diretamente. É notável que a aviação civil perdeu seu brilho, isso por conta da  popularização do meio de transporte: hoje, o passageiro não quer ser bajulado dentro de um avião, ele quer se mover de sua origem para um determinado destino rapidamente e por um preço baixo.

Faltam pilotos, técnicos, mecânicos, controladores de voo, comissários de voo. Faltam aeronautas e aeroviários em geral. Não existe uma categoria de trabalhadores direta ou indiretamente relacionados com a aviação que não sofra com a falta de profissionais. Para atender à demanda crescente, empresas aéreas contratam recém formados em aeroclubes e universidades. Empresas aéreas cortam custos relacionados com manutenção para manter suas aeronaves voando por mais tempo, atendendo à demanda, pagando o alto preço que é colocar a vida humana em risco.

Hoje, um jovem que queira se tornar Piloto, por exemplo, precisa desembolsar ao torno de sua formação cerca de 60 mil reais, mas, eu lhe pergunto, quem tem 60 mil reais num mundo pós-crise? Ora, se não temos profissionais técnicos habilitados pelo órgão regulador de aviação civil para a pilotagem, temos um problema: o crescimento da aviação brasileira está diretamente condicionado à mão de obra disponível. O Governo Brasileiro, ao invés de corrigir o problema investindo em seu povo, formando profissionais que voarão e manterão a soberania de nossos céus, prefere abrir nossas fronteiras aéreas para profissionais estrangeiros, que entrarão em nosso país, pilotarão nossas aeronaves, carregarão nosso povo, tomarão nossas vagas de emprego e, principalmente, contribuirão para a perda desse brilho iniciado por uma estrela dourada nas décadas de 80 e 90.

Precisamos de reforma em nossos aeroportos, mas, quem disse que há investimentos? Quando algum dinheiro é liberado, o mesmo é prontamente absorvido pelas esponjas sociais de nosso país, que se contentam em roubar o dinheiro que seria aplicado em um meio de transporte que garante a mobilidade de um país de dimensões continentais. Os órgãos supra-nacionais que cuidam da aviação civil no Brasil são ineficazes. Salários baixos são dados aos que garantem que você, senhor leitor, se locomova de um lugar para o outro com segurança.

É vergonhoso que um Controlador de Voo no Brasil ganhe  5% do que um Controlador de Voo ganha na Espanha. É vergonhoso que nossos comissários de voo ganhem salários tão baixos. É vergonhoso que alguns de nossos pilotos ganhem salários tão baixos quanto os de comissários. Faxinas são feitas em ministérios, o país parece respirar melhor, mas, simultaneamente, é anunciada a paralisação de obras no maior aeroporto da América Latina, demostrando a sujeira que é nossa política. Ao mesmo tempo que precisamos expandir o acesso ao Mercado, o órgão responsável pela manutenção da Aviação brasileira diminui assustadoramente de tamanho, fechando bases e diminuindo seu corpo de funcionários, denotando a burocracia desnecessária que é aplicada aqui dentro.

Observem o paradoxo: para o país crescer, precisamos de um sistema de transporte rápido e eficaz. O brasileiro, como nunca, se locomove usando o avião, atingindo lugares nunca antes atingidos. Precisaríamos de mais atenção a essa área tão delicada, mas, parece que nossos palhaços colocados no meio de um deserto, em uma cidade projetada, olhem que coincidência, em forma de avião, não se importam muito com essa situação toda, pois, os impostos estão sendo pagos, e, suas cuecas estão cada dia mais cheias de dinheiro tingido de suor e sangue de nosso povo.

Para sediar os eventos esportivos, precisaríamos ter começado as obras há dois anos. Se algum brasileiro inventou a máquina do tempo, compartilhou com o Governo que pretende fazer a maior “pegadinha do malandro” da história da humanidade, voltando ao passado e iniciando as obras, eu não sei. Sei que do jeito que está, não seremos capazes nem de transportar nosso povo, quanto mais, uma multidão de estrangeiros que acreditam que vivemos em árvores e comemos banana como refeição-base.

Nosso país, caro leitor, passará vergonha na segunda década do primeiro século do terceiro milênio. Formando um terço dos profissionais que precisamos, cortando investimentos numa área que leva o país em suas asas, é certo que o Brasil não será capaz de dar conta do que há por vir. Esperança, eu não tenho mais. Quero viajar para fora da nação durante tais eventos esportivos. Não quero me identificar como brasileiro, e, espero realmente que eu seja taxado de louco por quem me lê, pois, acreditar nessa realidade que vemos é acreditar que vivemos num lugar onde a mentira é pregada como a verdade, como nunca antes na história desse país.

TAM 35 Anos – O sonho não pode parar. [PARTE 2]

Caros Leitores,

 

Dando continuidade a série de 3 partes sobre os 35 anos da TAM, comentaremos hoje sobre a chegada dos Fokker 100, nos anos 90, e a expansão na América latina.

 

Por: João Vitor Balduino

 

Os irmãos Amaro, que alavancaram a TAM a um patamar nacional, estavam felizes em ver o sonho que tornou-se uma grande companhia aérea, deixando a concorrência (A então fortíssima Varig, e também Transbrasil, Vasp e Cruzeiro, as maiores da época) perturbada. A TAM explorava o interior com ligações importantes (E até os dias atuais existentes) e conquistava cada vez mais o passageiro.

Após esta consolidação no mercado, já no início dos anos 90, a TAM trouxe para o Brasil seu primeiro exemplar do jato holandês Fokker 100, ideal para curtas e médias distâncias, com baixos custos de operação e que faria a TAM subir ainda mais em relação ao posto que já estava. O diferencial da TAM, com os modernos jatos, era o alto padrão de serviços nos vôos regionais. E assim foi.

Mapa de Rotas da TAM de 2002. Note os destinos de interior, operados pelos Fokker 100.

Mapa de Rotas da TAM de 2002. Note os destinos de interior, operados pelos Fokker 100

 

Dada tamanha notoriedade da companhia, em 1993, com diversas rotas saindo de São Paulo com os jatos da Fokker, a TAM inova mais uma vez e cria o serviço TAM Fidelidade, que permitia aos passageiros mais freqüentes da companhia acumularem pontos que poderiam ser trocados por passagens gratuitas após uma certa quantidade de vôos. Como sempre, este produto deu mais do que certo e já no primeiro ano de operação tinha milhares de passageiros cadastrados, e com várias passagens prêmio emitidas. Um sucesso para a época.

TAM Fidelidade, semelhante ao primeiro modelo.

Com sua malha cobrindo cada vez mais o território nacional, em 1996, a TAM adiquiriu 80% da LAPSA, companhia estatal Paraguaia, criando assim a TAM Mercosur, com vôos Brasil – Paraguai e Argentina diários, ingressando de vez no mercado internacional latino americano. Ainda no ano de 1996, em um consórcio formado pela Lan Chile e TACA, a TAM liderou a negociação para a compra de aeronaves Airbus. O resultado da negociação é a encomenda de 140 aeronaves para as três companhias. Esta encomenda, na época, foi a maior da América latina. Mas, a era Airbus na TAM, é assunto para a terceira parte desta série.

TAM Mercosur. Note o logotipo no nariz do Fokker.

TAM Mercosur. Note o logotipo no nariz do Fokker.

 

Outra importante iniciativa da companhia foi a compra de mais de 180 alqueres de terra na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo. Este lugar ocuparia, em alguns anos, o centro tecnológico e de manutenção da TAM, referência em manutenção de aeronaves na América latina. Até hoje, a TAM recebe aeronaves de várias partes da América e lá realiza suas manutenções. E não é só Airbus não: Também é certificada para manutenções de Boeing 767, ATR-42/72 e Fokker 100.

Centro Tecnologico da TAM. Vista Aérea.

Centro Tecnologico da TAM. Vista Aérea.

 

A TAM já atingia o nível de companhia Sul Americana, e não mais nacional. A tímida expansão pela América do sul rendeu frutos, e novas rotas internacionais foram criadas.

Não perca na próxima parte: A chegada das aeronaves Airbus, os problemas com o Fokker 100 e a expansão da TAM para os EUA e Europa.

Um abraço!

Apresentação e HUD!

Convidado por João Vitor Balduíno para ser editor deste blog, aceitei de imediato. Balduíno é meu irmão desde que o conheço. Falando em conhecer, tudo começou numa noite em que nos cruzávamos nos céus virtuais, na ida para SBSV, no meio da UW58. Vi o tráfego na direção contrária e, de imediato, já fui puxar assunto. Conversamos por algum tempo, nos adicionamos no msn, e… desde então, nos tornamos irmãos.

Por Araújo. 

Meu nome é Araújo, tenho dezoito anos e, sou estudante de Aviação Civil.  Estou no segundo semestre do curso, e, desde que me conheço por gente, sonho em ser piloto de avião. Com o apoio indiscutível de meus pais, estou lutando por meu sonho que deve se realizar dentro de alguns poucos anos.

No Brasil, para nos tornarmos pilotos, temos duas possibilidades: ou seguimos para a aviação militar, ou então… prosseguimos para a aviação comercial. Tentei ser piloto militar pela relativa facilidade de me tornar um. Digo relativa, porque pra mim não foi fácil. Reprovei três vezes na prova de admissão e, na quarta tentativa, fui aprovado entre os vinte primeiros colocados. Já aprovado, resolvi fazer diferente. Agora que já tinha tudo nas mãos, resolvi correr pelo lado mais difícil, e, numa ligação vinda diretamente da EPCAr, recusei minha matrícula na instituição, seguindo então para a aviação comercial.

Aos que não sabem, a aviação comercial no Brasil vive seu melhor momento em toda a história, crescendo como nunca, contratando como nunca. Novas oportunidades surgem a cada segundo, e, em 2008, nascia minha paixão maior: A Azul Linhas Aéreas Brasileiras. Desde seu voo inaugural, sou apaixonado pela referida companhia, e, seguindo essa paixão, resolvi mudar todo o meu plano de vida com somente um objetivo em mente: me tornar um Comandante de Embraer E190/195 pela Azul. É um sonho um pouco alto e ousado, mas, se assim não fosse, haveria alguma graça?

Entrei na faculdade, estou a estudar e, no momento, a tirar minhas carteiras de piloto. Estou ingressando também na Azul, completando assim a primeira fase do meu sonho. A Azul é, atualmente, a melhor empresa aérea nacional em atuação no Brasil, sendo a mais pontual, a mais regular, que voa com as melhores aeronaves em relação ao conforto ao passageiro, segurança de voo e tecnologia, que oferece o melhor serviço de bordo. Enquanto passageiro, todas essas vantagens são excelentes. Como piloto, tais fatores são ótimos, mas, não suficientes para motivar uma mudança de vida.

O que realmente me atrai na Azul é o respeito com seus tripulantes, termo usado para identificar todos os funcionários da empresa. O que eu mais admiro na empresa é o respeito para com os clientes, nome dado aos passageiros azuis. O que mais me motiva a chegar lá é o prazer que eu sei que vou ter ao pilotar uma aeronave 100% brasileira, que é o símbolo nacional do desenvolvimento tecnológico nacional. Sou um fanático e apaixonado pelo Embraer E190/E195, já tendo estudado todos os manuais técnicos e operacionais por mais de três vezes. O mais interessante é que, ao final de tanto estudo, cheguei a uma conclusão: sei que nada sei.

Seguindo a filosofia da empresa, que é colocar a segurança em primeiro lugar, as aeronaves são equipadas com o HUD (Heads Up Display), antigamente usados somente em aviação militar. Tal aparelho proporciona aos dois pilotos na cabine um nível de segurança nunca antes visto, permitindo que todas as informações importantes de dados de voo que estejam disponíveis no PFD (Primary Flight Display), posicionado no painel principal, sejam projetadas diretamente em uma tela translúcida posicionada na altura dos olhos do Comandante e do Co-Piloto.

Mantendo-se sempre com os olhos para fora da aeronave, o Piloto em Comando tem, agora, todas as informações que precisa para manter a pilotagem dentro dos padrões projetadas logo à frente, não precisando olhar para baixo para obter dados como Velocidade Indicada, Altitude, Razão de Descida, Modos de Navegação e Controle acoplados e, principalmente, tendo o Horizonte Artificial logo à sua frente. Não precisando olhar para outros equipamentos, o Piloto em Comando pode sempre estar atento a tudo o que acontece do lado de fora da aeronave, aumentando a segurança das operações e, proporcionando um imenso conforto na pilotagem.

Além de aumentar a segurança, o HUD, usado somente pela Azul Linhas Aéreas Brasileiras no Embraer E190 e E195, é oito vezes mais sensível que outros displays, permitindo maior acuracidade nos dados projetados. Há alguns tipos de aproximação especialmente desenvolvidas para aeronaves equipadas com o HUD. A Azul Linhas Aéreas pretende homologar junto à autoridade de aviação civil aproximações por instrumentos específicas com o HUD, que são mais precisas e, por conta disso, mais seguras. Com aproximações mais seguras que as convencionais, a Azul poderá operar em aeródromos que estariam fechados para a aviação como um todo, já que os mínimos de aproximação HUD A3 são muito inferiores que as de CAT II disponíveis atualmente. Sabem o que isso significa? A Azul vai operar CAT III em aeródromo homologado CAT I e CAT II. Em termos leigos, enquanto seu voo vai ter que pousar em outro lugar porque o tempo no destino está ruim, a Azul vai manter seus voos regulares sem nenhum problema, pousando onde se deveria pousar.

Outra funcionalidade que está sendo homologada é a projeção das imagens de uma câmera de campo infra-vermelho no HUD. Em outras palavras, através desse equipamento, os pilotos poderão enxergar o que está do outro lado de uma densa camada de nuvens que, normalmente, impediriam a operação em determinado aeródromo. Enquanto outros aviões não poderão pousar porque não enxergam a pista, os pilotos da Azul estarão autorizados para a aproximação mantendo-se sempre com a visualização da pista, mesmo em caso de nevoeiro, através da projeção de imagens diretamente no HUD.

É claro que tais procedimentos estão em fase de homologação, e, caso sejam homologados pela ANAC, a Azul será a pioneira nesse tipo de aproximação no Brasil, trazendo vantagens aos passageiros que, sem mais, chegarão ao seu destino de maneira segura mesmo em caso de tempo ruim no aeroporto de chegada.

Agora que vocês já conhecem o HUD, ainda têm dúvida de qual companhia vão escolher na hora de voar da próxima vez? Eu estou certo, com a visão à frente, enxergando através de um Display colocado na altura dos meus olhos, visualizando todas as informações necessárias para um voo seguro, concluindo que a Aviação Brasileira se tornou mais segura com o uso do HUD também na aviação civil, implementado pela Azul Linhas Aéreas Brasileiras.