Doação de Medula Óssea: Luis Salvagnini (TAM Linhas Aéreas)

Caros leitores,

Recebi via Facebook ainda hoje o link abaixo. Infelizmente, é algo que não gostamos de noticiar pela razão da doença, mas me causa enorme bem estar saber que posso, de alguma maneira, estar ajudando e divulgando maneiras para salvar a vida de uma pessoa.

O Luis Salvagnini é um co-piloto da TAM que precisa da ajuda de todos nós no momento: Foi recentemente diagnosticado com Leucemia, está passando por tratamento e necessita urgente do transplante de medula óssea. 

No link abaixo há TODAS as informações necessárias, local de doação, instruções e informações importantes. Não custa ajudar, não é mesmo?

http://guaranisocialclube.com.br/?p=1930&utm_source=GuaraniSocialClube.com.br&utm_medium=facebook

Contamos com a ajuda de todos e ficamos na esperança de que o Luis volte a ganhar os céus a bordo de um jato vermelho e branco.

João Vítor Balduino

Dignidade, Ética e uma paulada na cara.

Caros Leitores,

Eu não sei de algumas coisas. Uma delas é se eu já esperava escrever esse post, mas não tão cedo e a outra é ter que escrever com dor no coração de uma maneira ou outra.

Por João Vítor Balduino

Acredito que todos, senão a maioria, recebeu a notícia do encerramento das operações da Webjet como uma paulada na cara. E não, não achei termo melhor. Então, antes de colocar aqui meus argumentos, deixo claro: As opiniões aqui colocadas são única e exclusivamente alusivas ao pensamento do autor. Pode ser que você concorde, pode ser que não… Enfim. Lá vamos nós.

Foto: Lucas Ricarte | 2012

Foto: Lucas Ricarte | 2012

A fusão entre companhias aéreas nunca muitas vezes não é vista com bons olhos, tanto pelos usuário do transporte, quanto pelos colaboradores das companhias envolvidas e analistas (Só os responsáveis, e não aqueles que o SBT chama para falar abobrinha na TV). Não precisa ser ingênuo para saber que grandes fusões vão gerar impactos econômicos e, por obséquio, demissões em massa. Inclusive, isso foi um tópico MUITO comentado quando a GOL oficializou a compra da Webjet. Claro, no esquema “Oito ou Oitenta”, a esperança nunca faltou. A possível luz no fim do túnel apareceu quando a GOL, e também a Webjet, anunciaram uma ambiciosa renovação de frota, retirando gradualmente os já cansados e gastões (Porém não menos eficientes) Boeing 737-300 e introduzindo os novos Boeing 737-800NG, oriundos da frota da própria GOL. Os mais otimistas diziam que, ao todo, seriam cerca de 30 aeronaves para a irmã menor e esverdeada. É claro que isso deu um “up” no time de colaboradores da companhia, que sequer imaginavam que o destino da empresa já estava, desde o princípio, selado, registrado e carimbado.

Foto: Fernando Canteras | 2012

Foto: Fernando Canteras | 2012

Eu não condeno a absorção da Webjet pela GOL. Até porque, no caso de grandes fusões, é natural que o “tubarão” (GOL) engula o menor (Webjet). O que mais gerou raiva ontem e hoje (E comigo o sentimento não foi outro) foi a maneira com a qual as coisas foram conduzidas. Uma atrocidade sem tamanho, uma falta de respeito sem precedentes. Confesso, ainda, que ando com meu rabo preso com atitudes da GOL desde o programa de demissão em massa para redução de custos que houve recentemente. Nos dois casos, amigos foram demitidos e pude (E estou) acompanhando de perto esse doloroso processo. O atual presidente da GOL, Paulo Sérgio Kakinoff, em uma distinta entrevista para a Folha de São Paulo, ressaltou (Para não dizer que jurou de pé junto) que não haveriam demissões nessa “fusão”. Preciso dizer que isso foi uma grande mentira e falta de respeito? Claro que não. O que aconteceu hoje responde por mim.

A sensação de acordar e não saber pra onde ir é desesperadora. Não passei por isso ainda, mas no meu ambiente familiar isso já aconteceu várias e várias vezes. Acordar e ver seu pai sem poder fazer nada, sem poder reverter a situação, sem saber quando o mercado de trabalho irá acolhe-lo novamente… Não, não é uma situação confortável. Não é algo que desejo nem para meu pior inimigo (Até porque não tenho nenhum). Agora pegue uma situação desta e multiplique por 850. É justamente isso que os seres humanos, trabalhadores, colaboradores, aviadores, aeronautas e apaixonados pelo o que faziam vão acordar pensando amanhã. Pessimismo meu? Não. A aviação brasileira não vive um momento tão bom como há uns dois anos atrás. Mas, quem sou eu para traçar panorama de aviação? Agora não é hora para isso.

Fico tentando imaginar se a diretoria da GOL e os principais responsáveis por isso conseguem colocar suas respectivas cabeças no travesseiro e dormirem tranquilas. Não tenho absolutamente nada contra eles, mas enquanto um anda de Audi A7 de 400 mil reais, uns estão desempregados. Foi, realmente, antiético prometer emprego e da noite pro dia apunhalar pelas costas os que acreditaram em um futuro promissor para a empresa que davam o sangue? Se você acha que estou exagerando… Não. Não estou. Vivi momentos excepcionais naqueles 737 apertadinhos. Por que não? Uma tripulação fantástica que em todos os momentos me recebeu com sorrisos a bordo. “Bom dia, Senhor”. Ao ser recebido no cockpit? Já cheguei a me despedir dando abraços em ambos os pilotos, trocando contatos e combinando algum encontro futuro. Inclusive, conversei com o co-piloto deste voo via Skype e ouvi-lo chorar não foi NADA agradável. Novamente: Multiplique isso por OITOCENTOS E CINQUENTA.

Foto: Juliano Damásio | AIRFLN (www.airfln.com.br)

Foto: Juliano Damásio | AIRFLN (www.airfln.com.br)

Espero, do fundo do coração, que a recolocação no mercado de trabalho dos trabalhadores da Webjet seja bastante rápida e eficaz. Que todos possam encontrar seu lugar ao sol, em céus brasileiros ou não. Que o mercado possa acolhe-los de braços abertos. Que a competência e a credibilidade de quem foi traído possa ser levada em conta. Que tal, um dia, eu encontrar mundo a fora um “Ex-Webjet” voando feliz? Torço muito por isso. Fico aqui na expectativa. Na torcida. Sofro junto. Me alegro junto. Só quem vive e respira aviação consegue me entender.

De resto, espero que os cervejeiros, entendedores de carros de luxo e gestores de empresa de ônibus que hoje compõem a diretoria de uma companhia aérea possam voltar para seus tronos originais. Claro, antes que inocentes sejam enganados e antes que seja tarde demais.

Qualquer coisa, estou a disposição.

Um triste abraço.

Desenvolvimento da malha aérea em áreas distantes dos grandes centros

Você está no interior do Amazonas, na cidade de São Gabriel da Cachoeira, e deseja chegar à capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Você não quer passar seus próximos sete dias em barcos, ônibus e carro. Você sabe que ir por via aérea é mais confortável, barato e rápido. Mas eu tenho algo a te dizer. Você está sendo observado. Alguém sabe que você sabe que voar é melhor, e, por conta disso, esse mesmo alguém, muito longe de você, traça um voo ligando São Gabriel da Cachoeira a Porto Alegre. Você percebe o cheiro de mistério no ar?

Por Danilo Araújo.

Caro leitor, fique despreocupado, você não tem uma câmera escondida em sua casa, seu celular não está grampeado e sua mente ainda não pode ser acessada remotamente por outras pessoas. Você não está sendo perseguido, e, o mistério termina agora: as empresas aéreas adoram saber pra onde você quer ir e elas fazem isso através de pesquisa de mercado. OK, você já pode tirar a mão da frente da sua Webcam, não é por aí que estão te observando.

As grandes empresas de transporte aéreo têm setores dedicados especialmente para a análise e coleta de informações relacionadas à origem e destino de cada passageiro. Tal setor é responsável pelo desenvolvimento da Malha Aérea, e, se vocês querem saber, para mim este setor é o responsável pelo sucesso ou insucesso da companhia aérea.

Tudo começa com a referida análise e coleta de dados. Através de pesquisas de mercado, os setores de desenvolvimento de Malha Aérea conseguem determinar o número de passageiros que têm a cidade de São Gabriel da Cachoeira como origem de seus voos, por exemplo. Se tal cidade tiver um aeroporto com condições de receber voos comerciais regulares e, se principalmente, houver passageiros suficientes partindo de São Gabriel da Cachoeira todos os dias em todas as frequências diárias, um voo poderá ser implantado ali.

Mas, leitor desavisado, acalme-se. Não é porque você precisa visitar sua família uma vez ao ano em Porto Alegre que a empresa aérea vá disponibilizar um avião para você. Os estudos de ODV (Origem e Destino Verdadeiro) são extremamente complexos, e, a companhia de transporte aéreo só vai iniciar os voos para sua cidade se realmente houver a certeza de que tal voo gerará lucro.

OK. Já expliquei uma parte do conceito-chave desse artigo. Expliquei a letra “O” do termo “ODV”. Já sabemos que, se houver passageiros suficientes na Origem (densidade de passageiros), se houver infraestrutura aeroportuária, e, enfim, se houver a certeza da rentabilidade em tal operação, um voo será deslocado para atender tal cidade. Mas, e em relação ao destino? Você precisa sair de São Gabriel da Cachoeira e chegar a Porto Alegre, mas, será que todos os passageiros têm a mesma necessidade? Todos querem visitar sua família em Porto Alegre? Não!

A não ser que você tenha seu jato particular, infelizmente, se não houver densidade de tráfego com origem em São Gabriel da Cachoeira e destino em Porto Alegre a ponto de justificar um voo direto, sem escalas, você vai precisar fazer o que chamamos de Conexão. Temos, aí, um assunto interessante.

Vamos supor que haja 50 passageiros que partam de São Gabriel da Cachoeira diariamente para 50 destinos diferentes. Um quer ir para Porto Alegre, outro quer ir para Manaus, outro quer ir para Salvador e alguns outros só querem passear, retornando a sua cidade de origem ainda no mesmo dia (acredite, eu conheço gente que faz isso). A empresa aérea vai deslocar 50 aviões para atender a essa demanda? Para a tristeza de muitos, a resposta é NÃO. Mas, se há a necessidade de se atender a tal quantidade de clientes, o quê fazer?

Para você, leitor mais avisado e entendido do assunto, gostaria de ressaltar que neste artigo não nos aprofundaremos em outros aspectos como QSI, HOTRAN etc.

Desloque um avião de 50 assentos, como por exemplo, um ATR, capte todos os 50 passageiros e leve-os para um grande centro de distribuição, um aeroporto que seja capaz de distribuir os passageiros para os 50 destinos desejados. Nós chamamos tal aeroporto de HUB, e as empresas aéreas aprenderam que essa é uma forma interessante de se ganhar dinheiro.

Decolando de São Gabriel da Cachoeira e pousando em um HUB da empresa, os 50 passageiros vão se separar e, cada um irá embarcar em um voo que os levará para o próximo destino, seja ele o destino final, seja ele outro aeroporto de conexão.

Pronto, mistério revelado. Com o conceito de ODV, as empresas aéreas são capazes de desenvolver sua malha de tal forma que esta consiga captar o máximo de passageiros possível em locais afastados dos grandes centros, levando-os a qualquer um dos destinos atendidos pela malha da empresa através de conexões em HUBs e aeroportos secundários. É claro que na construção de uma malha aérea, após os estudos iniciais obtém-se a frequência ideal, o horário ideal, as características ideais, com o avião ideal para o tipo de passageiro específico a ser atendido, visando qualidade da malha desenvolvida.

Mas, fique atento, essa é só a ponta do iceberg chamado de Desenvolvimento de uma Malha Aérea. Há ainda muitas outras questões envolvidas, contudo, hoje falaremos somente dessa parte visível, deixando para outra oportunidade um maior aprofundamento nesse assunto, pois, nosso voo com destino a Porto Alegre, partindo de São Gabriel da Cachoeira com direito a duas escalas e conexões, já vai partir!

Especial Nordeste 1 – Rotina de uma tripulação técnica antes de assumir um voo

Caros leitores,

Esta é a primeira matéria da série “Especial Nordeste”, fruto da nossa recente viagem até Salvador-BA.  Enjoy!

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Rotina de uma tripulação técnica antes de assumir um voo na base Viracopos da AzulTrip.

Você já se perguntou o que fazem os pilotos antes de entrarem no avião que eles pilotarão? Você já parou para pensar em todas as etapas que fazem parte dos bastidores dessa profissão tão bela e visada por muitos? Não? Então aperte o cinto, pois… Tripulação, decolagem autorizada!

Por Danilo Araújo.

Uma tripulação técnica, ou seja, constituída de pilotos –os comissários e comissárias são denominados de tripulação comercial- pode ser simples, composta ou de revezamento. A tripulação simples é a mais comumente adotada nos voos domésticos. Ela é constituída de um Comandante e de um Copiloto. Em nível de curiosidade, há também a tripulação Composta, formada por um Comandante e dois Copilotos e, é importante ressaltar a existência da Tripulação de Revezamento, composta dois Comandantes e dois Copilotos. As duas últimas classes de tripulação são usadas em voos internacionais e por ora não falaremos delas.

A manutenção cuida do avião enquanto a tripulação discute detalhes do voo.

A manutenção cuida do avião enquanto a tripulação discute detalhes do voo.

Ainda no início de cada mês, a tripulação técnica recebe sua escala de voo. Tal escala controlará a vida dos pilotos, indicando quais serão os voos programados para cada um realizar, ou seja, a escala de voo será uma espécie de agenda obrigatória, constituída de diversos voos para diversos locais do Brasil, contendo uma programação estimada de viagens a serem realizadas durante o mês de trabalho. A confecção de tal é bastante complexa pois existem diversas leis e regulamentos que regem os limites diários e mensais de voo.

Carta de vento, também analisada

Carta de vento, também analisada pelos pilotos.

Por lei, a tripulação deve se apresentar em local indicado 30 minutos antes do início de cada voo. Normalmente, os pilotos se apresentam com uma antecedência maior, aproveitando o tempo extra para observarem condições meteorológicas através de leitura de boletins específicos, informações aeronáuticas pertinentes ao voo, tais como NOTAM –espécie de aviso, boletim destinado ao aeronavegante-, além de imprimirem e analisarem a Navegação planejada para o voo proposto.

Essa, talvez, seja a parte mais interessante desse artigo. As empresas aéreas investem milhões de dólares na confecção de tais navegações, que nada mais são que planejamentos de voo visando a melhor performance possível, reduzindo os custos com combustível (que representam os maiores custos de uma empresa aérea), aproveitando melhor o tempo de solo, conseguindo economias de densidade (levando mais passageiros em menos tempo), desviando de condições meteorológicas desfavoráveis e que possam causar desconforto aos passageiros etc. Uma navegação bem planejada é aquela que, ao resumo de duas ou três folhas, informará o piloto sobre a melhor rota, o melhor nível de voo, o melhor regime de subida, cruzeiro e descida, abastecimento necessário e correto, pesos máximos de decolagem, peso atual de decolagem, dentre outros. Com tal navegação, a tripulação técnica         deverá planejar seu voo! Incrível!

Após colher tantas informações, a apresentação da tripulação é realizada: o Comandante, o Copiloto e os tripulantes comerciais se encontram e começam o que chamamos de Briefing. O briefing é uma etapa interessante, em que, em uma conversa muitas vezes descontraída são ditas as informações pertinentes ao voo, ou seja, condições meteorológicas, tempo previsto de voo, qual aeronave será utilizada (até pouco antes do voo, não se sabe qual matricula de aeronave será destinada para determinado voo), é combinado condições de segurança, dúvidas são tiradas e o gelo inicial é quebrado com uma conversa recheada de seriedade cercada de boas risadas e descontração. O Briefing é o momento ideal para a conferência da documentação necessária ao voo.

Embarque imediato!

Embarque imediato!

Após tal fase, a tripulação está ciente de tudo o que acontecerá durante o voo. Uma vez cientes, os tripulantes, enfim, aguardam o transporte que os levará até a aeronave.Uma vez nela, tudo o que foi planejado e “briefado” é colocado em prática, e a Magia Azul finalmente ganha vida! Daí pra frente é história pra outras luas. Por enquanto, ficamos com o “Seja bem-vindo a bordo” e “boa viagem”! 

Especial Nordeste

Caros leitores,

A equipe do PlusAviation esteve em Salvador-BA no último final de semana afim de preparar a próxima série de matérias especiais aqui do portal. Serão várias matérias onde abordaremos os seguintes pontos:

– FlightCheck: Voando Azul entre Campinas e Salvador / Impressão dos voos;

– A importância da fusão AzulTrip para a integração de cidades na região nordeste;

– Impressões aeroportuárias de Salvador: Análise detalhada dos serviços oferecidos aos usuários do aeroporto, bem como alimentação, ambientação e facilidades;

– Rotina de uma tripulação técnica antes de assumir um voo na base Viracopos da AzulTrip.

– Desenvolvimento da malha aérea em áreas distantes dos grandes centros;

Aguardem pois será uma matéria bastante interessante, com bastante detalhe e informação interessante! Sugestões? Envie via comentários e email.

Um abraço,

Os editores.

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