Desenvolvimento da malha aérea em áreas distantes dos grandes centros

Você está no interior do Amazonas, na cidade de São Gabriel da Cachoeira, e deseja chegar à capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Você não quer passar seus próximos sete dias em barcos, ônibus e carro. Você sabe que ir por via aérea é mais confortável, barato e rápido. Mas eu tenho algo a te dizer. Você está sendo observado. Alguém sabe que você sabe que voar é melhor, e, por conta disso, esse mesmo alguém, muito longe de você, traça um voo ligando São Gabriel da Cachoeira a Porto Alegre. Você percebe o cheiro de mistério no ar?

Por Danilo Araújo.

Caro leitor, fique despreocupado, você não tem uma câmera escondida em sua casa, seu celular não está grampeado e sua mente ainda não pode ser acessada remotamente por outras pessoas. Você não está sendo perseguido, e, o mistério termina agora: as empresas aéreas adoram saber pra onde você quer ir e elas fazem isso através de pesquisa de mercado. OK, você já pode tirar a mão da frente da sua Webcam, não é por aí que estão te observando.

As grandes empresas de transporte aéreo têm setores dedicados especialmente para a análise e coleta de informações relacionadas à origem e destino de cada passageiro. Tal setor é responsável pelo desenvolvimento da Malha Aérea, e, se vocês querem saber, para mim este setor é o responsável pelo sucesso ou insucesso da companhia aérea.

Tudo começa com a referida análise e coleta de dados. Através de pesquisas de mercado, os setores de desenvolvimento de Malha Aérea conseguem determinar o número de passageiros que têm a cidade de São Gabriel da Cachoeira como origem de seus voos, por exemplo. Se tal cidade tiver um aeroporto com condições de receber voos comerciais regulares e, se principalmente, houver passageiros suficientes partindo de São Gabriel da Cachoeira todos os dias em todas as frequências diárias, um voo poderá ser implantado ali.

Mas, leitor desavisado, acalme-se. Não é porque você precisa visitar sua família uma vez ao ano em Porto Alegre que a empresa aérea vá disponibilizar um avião para você. Os estudos de ODV (Origem e Destino Verdadeiro) são extremamente complexos, e, a companhia de transporte aéreo só vai iniciar os voos para sua cidade se realmente houver a certeza de que tal voo gerará lucro.

OK. Já expliquei uma parte do conceito-chave desse artigo. Expliquei a letra “O” do termo “ODV”. Já sabemos que, se houver passageiros suficientes na Origem (densidade de passageiros), se houver infraestrutura aeroportuária, e, enfim, se houver a certeza da rentabilidade em tal operação, um voo será deslocado para atender tal cidade. Mas, e em relação ao destino? Você precisa sair de São Gabriel da Cachoeira e chegar a Porto Alegre, mas, será que todos os passageiros têm a mesma necessidade? Todos querem visitar sua família em Porto Alegre? Não!

A não ser que você tenha seu jato particular, infelizmente, se não houver densidade de tráfego com origem em São Gabriel da Cachoeira e destino em Porto Alegre a ponto de justificar um voo direto, sem escalas, você vai precisar fazer o que chamamos de Conexão. Temos, aí, um assunto interessante.

Vamos supor que haja 50 passageiros que partam de São Gabriel da Cachoeira diariamente para 50 destinos diferentes. Um quer ir para Porto Alegre, outro quer ir para Manaus, outro quer ir para Salvador e alguns outros só querem passear, retornando a sua cidade de origem ainda no mesmo dia (acredite, eu conheço gente que faz isso). A empresa aérea vai deslocar 50 aviões para atender a essa demanda? Para a tristeza de muitos, a resposta é NÃO. Mas, se há a necessidade de se atender a tal quantidade de clientes, o quê fazer?

Para você, leitor mais avisado e entendido do assunto, gostaria de ressaltar que neste artigo não nos aprofundaremos em outros aspectos como QSI, HOTRAN etc.

Desloque um avião de 50 assentos, como por exemplo, um ATR, capte todos os 50 passageiros e leve-os para um grande centro de distribuição, um aeroporto que seja capaz de distribuir os passageiros para os 50 destinos desejados. Nós chamamos tal aeroporto de HUB, e as empresas aéreas aprenderam que essa é uma forma interessante de se ganhar dinheiro.

Decolando de São Gabriel da Cachoeira e pousando em um HUB da empresa, os 50 passageiros vão se separar e, cada um irá embarcar em um voo que os levará para o próximo destino, seja ele o destino final, seja ele outro aeroporto de conexão.

Pronto, mistério revelado. Com o conceito de ODV, as empresas aéreas são capazes de desenvolver sua malha de tal forma que esta consiga captar o máximo de passageiros possível em locais afastados dos grandes centros, levando-os a qualquer um dos destinos atendidos pela malha da empresa através de conexões em HUBs e aeroportos secundários. É claro que na construção de uma malha aérea, após os estudos iniciais obtém-se a frequência ideal, o horário ideal, as características ideais, com o avião ideal para o tipo de passageiro específico a ser atendido, visando qualidade da malha desenvolvida.

Mas, fique atento, essa é só a ponta do iceberg chamado de Desenvolvimento de uma Malha Aérea. Há ainda muitas outras questões envolvidas, contudo, hoje falaremos somente dessa parte visível, deixando para outra oportunidade um maior aprofundamento nesse assunto, pois, nosso voo com destino a Porto Alegre, partindo de São Gabriel da Cachoeira com direito a duas escalas e conexões, já vai partir!

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Visão do Passageiro / Flight Check – Azul Linhas Aéreas

Na parte de trás da cabine…

Cheguei no aeroporto de Viracopos procedente de Ribeirão Preto, em um ATR da companhia. Tivemos, ainda no trajeto entre Ribeirão e Campinas, um pequeno atraso decorrente da meteorologia em Ribeirão Preto. Nos últimos dias, a meteorologia em todo o estado de São Paulo, bem como em toda a região sudeste, tem atrapalhado as operações nos aeroportos menores, que não dispõem de elementos como ILS para pouso em condições climáticas desfavoráveis. Não por isso, o voo foi excepcional. Temperado com uma turbulência forte em rota, dando um pouco mais de emoção em nosso voo, fomos levados pelo novíssimo e moderno ATR 72-600, de prefixo PR-ATE. Nos comandos, o comandante Aníbal muito solícito sempre passando informações sobre a melhora do tempo em Campinas, tranquilizando passageiros de primeira viagem, como muitos no nosso ATR.

Chegamos em Viracopos eram 12h05min, e minha conexão para Vitória era 12h25min. Assim que paramos no gate, liguei para nosso editor Danilo Araújo, que me acompanharia na etapa entre Campinas e a capital capixaba. O embarque para Vitória já havia começado, e eu ainda estava dentro do turboélice. Graças ao apoio da equipe de solo de Ribeirão Preto, fui o primeiro a embarcar na aeronave, sentando na última fileira de poltronas do ATR, no corredor. Isso facilitou, e muito, na hora de desembarcar e correr até o E-JET. Eu era o único passageiro em conexão para Vitória, e fiquei muitíssimo feliz em saber que a companhia estava apenas aguardando a minha chegada para iniciar o voo. Isso demonstra e reforça ainda mais o compromisso da Azul no cuidado com o passageiro. Enquanto as companhias aéreas congêneres vão contra isso, a Azul presta para os passageiros um atendimento cada vez mais humanizado e respeitoso. Mil pontos para a companhia!

De fato, assim que me acomodei na poltrona 25-D do PR-AYQ (Lê-se: Papa Romeo – Alpha Yankee Quebec), um novo e moderníssimo Embraer 195, projetado e operado por brasileiros, as portas foram fechadas e, em mais alguns minutos, estávamos iniciando nosso procedimento de pushback. Uma curiosidade: Em Viracopos, após o pushback ser realizado, a aeronave é levada até uma posição específica no pátio, chamada de “Ponto de Acionamento”. Lá os motores são acionados. E também de lá iniciamos nosso taxi até a pista 15 de Campinas.  Sempre suave e ágil, tentando minimizar um pouco do pequeno atraso na partida. Durante o taxi, o trio de Blue Angels (Como são carinhosamente chamadas as comissárias de vôo da Azul) fizeram os speechs para os passageiros, bem como as importantíssimas demonstrações de segurança, nos casos de uma eventual emergência.

Embarcados - PR-AYQ

Embarcados – PR-AYQ

Interior do nosso Embraer 195, o PR-AYQ

Interior do nosso Embraer 195, o PR-AYQ

Mapinha de voo, o famoso AirShow!

Mapinha de voo, o famoso AirShow!

Iniciando o táxi até a pista 15 de Viracopos.

Iniciando o táxi até a pista 15 de Viracopos.

Sem nenhuma parada, alinhamos de decolamos. Após uma curta corrida, saímos do solo em Campinas. Curva inicial para a esquerda, cumprindo o perfil de saída passado pelo controlador de voo em Campinas. Assim que cruzamos 10.000 pés, o aviso de atar cintos foi apagado…

Subindo para nosso nível de cruzeiro, 37.000 pés.

Subindo para nosso nível de cruzeiro, 37.000 pés.

Tentativa de foto artística em pleno voo.

Tentativa de foto artística em pleno voo.

…e o início do serviço de bordo foi anunciado. Neste vôo, teríamos o saboroso e padrão serviço de bordo da Azul: Refrigerantes (Kuat, Kuat Zero, Coca-cola e Coca-Cola zero), Suco (SuFresh Laranja com gominhos), água mineral sem gás e os famosos snacks da Azul (Batata Chips, Goiabinha, Biscoito com Gergelim, Biscoito Recheado e Amendoim Japonês). Um detalhe: Os saborosos e adoráveis Mix Apertivo foram retirados do serviço de bordo da companhia, sendo trocados pelo amendoim. Particularmente, o Mix é muito mais saboroso e elaborado, e poderiam retornar ao “cardápio” da Azul. Fora isso, tudo muito bem servido e em quantidades generosas.

Fiquei com uma coca-cola normal, dois pacotinhos de batata chips e um pacotinho de biscoito recheado. O interessante na Azul é que você pode determinar a quantidade do que você quer, ao contrário de outras companhias onde nem pedir mais um copo de bebida é permitido. Muito bacana essa opção dada aos passageiros, com liberdade de escolha do que quer comer, podendo começar em algo salgado e terminar em um doce. Além disso, a bebida não é em um copo pequeno, mas sim, em uma pequena garrafinha (Antes, era uma latinha) com quantidade para dois copos.

O serviço de bordo da Azul. Tudo muito bem servido e apresentado.

O serviço de bordo da Azul. Tudo muito bem servido e apresentado.

O voo transcorreu normalmente. Nenhuma turbulência, apesar das condições meteorológicas após nossa decolagem de Campinas. Por ser um voo mais longo, o serviço foi feito sem atropelos e com muita simpatia e cordialidade. Após o serviço de bordo, uma cena muito bacana: A comissária líder do voo se agachou no meio do corredor para brincar com um pequeno passageiro, de dois anos de idade e que voava pela primeira vez. Com certeza, o garotinho ficou bastante alegre e seus pais mais ainda. São gestos que, por mais simples que sejam, remetem ao atendimento mais humanizado que comentei logo acima. Os passageiros ao redor, que também observavam, davam risada junto. Sensacional!

Tão logo os lixos foram recolhidos, iniciamos nossa descida para Vitória. O comandante falou conosco pouco depois, passando algumas informações sobre Vitória. Chuva leve, 24 graus de temperatura, e estimando pouso para as 14h05 minutos. Com incrível rapidez, já era possível ver logo abaixo da asa direita a cidade de Vitória. Com o avião configurado para pouso, em poucos minutos já estaríamos em solo…

Quase chegando em Vitória, com um tempo nada agradável.

Quase chegando em Vitória, com um tempo nada agradável.

Final para pouso em Vitória, pouco antes da surpresinha.

Final para pouso em Vitória, pouco antes da surpresinha.

…Mas eis que, sinto o corpo sendo jogado para trás. Ouço o motor sendo acelerado, e o avião está subindo. Sim, estávamos arremetendo. Para alguns no avião, um pouco assustador. Para outros, situação mais do que corriqueira. Cumprimos o procedimento que foi instruído aos pilotos, e começamos a sobrevoar o mar. Uma linda visão, apesar do dia nublado. O mar verdinho, e os navios que iam em direção ao Porto de Tubarão, em Vitória. O comandante, novamente, voltou a falar conosco. O motivo da arremetida foi uma mudança de vento e pista, além da desestabilização da aproximação final. Segurança acima de tudo! Cerca de 10 minutos depois, já estávamos na final para pouso. O avião foi novamente configurado, e em poucos minutos estaríamos em solo capixaba.

Arremetemos!

Arremetemos!

Iniciando novo procedimento para pouso, com direito a um belo panorâmico nas proximidades de Vitória

Iniciando novo procedimento para pouso, com direito a um belo panorâmico nas proximidades de Vitória

Belíssimo mar, apesar do tempo nada convidativo.

Belíssimo mar, apesar do tempo nada convidativo.

The ocean!

The ocean!

Após um toque firme na pista do aeroporto de Vitória, taxiamos rumo ao pequeníssimo terminal de passageiros do aeroporto. Paramos e os motores foram cortados as 14h32 minutos, encerrando assim mais um confortável e excepcional voo nas asas da Azul. Desembarcamos, e como de praxe, fotografamos nossa linda aeronave. Como é lindo o desenho destes E-JETs! E a pintura da Azul, igualmente bela, dá um “plus” a beleza do avião.

Fomos fotografados durante o pouso! (Foto por JUNIO GRACIELO / PORTAL AEROVIX)

Fomos fotografados durante o pouso! (Foto por JUNIO GRACIELO / PORTAL AEROVIX)

Paramos ao lado do (Quase) gêmeo, o PR-AZH.

Paramos ao lado do (Quase) gêmeo, o PR-AZH.

Nosso editor, Danilo Araújo, ao lado do PR-AYQ, já em Vitória.

Nosso editor, Danilo Araújo, ao lado do PR-AYQ, já em Vitória.

E este que escreve essas mal-traçadas, também ao lado do PR-AYQ em Vitória.

E este que escreve essas mal-traçadas, também ao lado do PR-AYQ em Vitória.

Após isso, nos encontramos com o amigo Junio Gracielo, excepcional spotter de Vitória e pessoa da melhor qualidade. Seguimos para um almoço na Churrascaria Minuano, de frente para o mar, na praia de Camburi. Mas isso fica para o próximo post: A estadia em Vitória.

E aí, gostaram da experiência Azul?

Um abraço!

João Vítor Balduino